Participei de uma oficina de Deriva Fotográfica, na qual produzi estas fotos e o texto abaixo.

As fotos não são nada surpreendente, mas foi meu processo de romper um bloqueio 

Fotografar estranhos

Derivei em busca de estranhos para serem fotografados. Este sempre foi um bloqueio meu, fotografar estranhos.

Então parti em busca deles, ao principio pelas costas, e a cada estranho, uma mudança de direção. Percorri caminhos desconhecidos, e a então a coragem aumentou, passei a encarar estranhos, que nunca me encaravam de volta. As pessoas não tem o costume de encarar, de questionar, de se incomodar. Poucas fotografias tiveram estranhos sustentando o olhar. Fotografei por quase uma hora, até que um primeiro estranho me questionou o que estava fazendo. Depois de uma breve conversa, aquele contato não somente mudou minha direção, mudou também minha interação, fiquei eu parada, esperando o movimento das pessoas, e fotografando. Foi um longo tempo, até me questionarem mais uma vez, e então decidi que era tempo de voltar. Na volta, mais dois estranhos, sentados, conversando, numa cena irresístivel. Tirei a foto, e um deles falou “Vai queimar o filme hein“. Depois deste clichê, tive a certeza de que minha deriva chegará ao fim.